
(CHARLES BUCWSKY)
Ela lambeu os pés
Na primavera de
MarçoArrancou o esmalte das unhas
E a mancha de batom da camisa
Ela era forte demais pra não pensar em sacanagem
Forte e macia demaisPra não pensar nessas coisas
Entrou numa estrada qualquer
De muitas placas e caminhos
De muita gente perdida
Com vinte cigarros na mão
Ela respirava à queima roupa
Tinha muito dessa coisa de sentidos
Cinco deles...precisamente
Cinco sentidos e um nó na garganta
Cinco sentidos e um nó na garganta
Cinco sentidos e uma bala no bolso da frente
Ela lambeu a cinturaArrancou a roupa de baixo
Manchou a pele de batomE as flores de suor
Ela era alegre demais pra não pensar em morte
Alegre e decadente demais
Pra não pensar nessas coisas
Abriu uma janela qualquer
Que dava pra parede
Dali nasceriam mais flores
A janela era fértil
O barulho era intenso
A primavera era morta
Escondida em vinte cigarros
O calor derretia nas portas quebradas
A paixão aumentava nos dias do cio
Ela lambia a própria língua
Seguia naquela estrada manchada...e nunca soube muito bem onde queria chegar
Mas acreditava nas coisas do coração
Sempre que fumava um cigarro
Parada num sinal vermelho qualquer.

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